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Negociações de preços agitam setor de saúde

Beth Koike e Mauro Zanatta De São Paulo e Brasília

O setor de saúde privada, que movimentou R$ 59 bilhões no ano passado, vive um momento de negociações acaloradas. De um lado, as operadoras de planos de saúde propõem reajustes médios entre 8,4% e 10,2%, bem acima dos 4,8% registrados pelo IPCA nos últimos 12 meses. Do outro, as empresas, atingidas ou assustadas pela crise, tentam reduzir custos com os planos. Ontem, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) introduziu um novo complicador nas negociações, ao anunciar que as operadoras poderão reajustar os preços dos planos corporativos apenas uma vez por ano. A prática atual prevê, em geral, três aumentos anuais, mas há seguradoras que elevam os preços até trimestralmente. Essa rodada de negociações acirradas ocorre após um período crítico para as operadoras. Dificuldades de acesso ao crédito e problemas de caixa, ambos derivados da crise financeira internacional, somaram-se à  significativa elevação da demanda da clientela por serviços. Com medo de perder o emprego na crise e, consequentemente, o benefício do plano de saúde, muitos trabalhadores anteciparam procedimentos de cirurgias simples ou check-ups de rotina, o que pressionou o caixa das operadoras. Além disso, houve estagnação nas vendas de novas apólices e aumento de 4% na inadimplência. O número de consultas médicas e exames laboratoriais aumentou 13,2% e 11,3%, respectivamente, entre novembro e abril. Em Brasília, quatro dos 13 hospitais credenciados pela Cassi, vinculada ao Banco do Brasil, deixaram de aceitar clientes dessa operadora. Sob o argumento de que existem dívidas não pagas e desentendimentos sobre reajustes da remuneração de procedimentos médicos, os hospitais Santa Lúcia, Prontonorte, Daher e Santa Helena cortaram o plano. Na Bradesco Saúde, maior empresa do ramo no país, com 2,8 milhões de beneficiários, as negociações têm sido duras e praticamente diárias desde o agravamento da crise financeira, em setembro. "As empresas estão se movimentando e revendo custos. Estamos sentindo muito a pressão", disse Heráclito de Brito Gomes Júnior, presidente da Bradesco Saúde. www.cqcs.com.br

 

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