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PLANOS DAS EMPRESAS PODEM SUBIR MAIS ESTE ANO


Data: 20/7/2009
Fonte: Jornal da Tarde

Seis das 12 maiores empresas de convênio médico do País pretendem aplicar reajustes superiores aos realizados em 2008 nos preços dos planos de saúde coletivos (veja no quadro ao lado).

Ao contrário do que ocorre nos contratos individuais, o aumento das mensalidades é livre para os planos contratados por empresas ou associações. A única exigência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesses casos é de que haja, no máximo, somente um reajuste por ano.

Porém, para definir qual será o aumento efetivo nas mensalidades - e, consequentemente, quanto os trabalhadores que contribuem com parte do valor do plano terão de desembolsar a mais - as operadoras devem entrar em acordo com as empresas.

E aí está a chave da questão: em tempos de crise, tanto empresas como operadoras estão com custos financeiros apertados. Por isso, a queda de braço promete ser dura.

Do lado das operadoras, há motivos para pleitear um reajuste maior em 2009. Em primeiro lugar, a crise provocou um aumento na utilização dos planos.

Os trabalhadores demitidos aproveitaram o período de aviso prévio para usar os serviços do convênio antes de perderem o direito ao benefício, elevando os custos das operadoras. Esse fenômeno provocado pela crise não estava previsto nos cálculos das operadoras e elas querem cobrar a diferença, é o chamado reajuste técnico.

“O que tem sido relatado, recorrentemente, pelas afiliadas é o aumento dos custos de internações, em decorrência, principalmente, do aumento na frequência de procedimentos de alto custo, bem como medicamentos de última geração”, afirma Solange Beatriz, diretora da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

A alta do dólar nos últimos 12 meses também encareceu os custos ambulatoriais, por conta principalmente da importação de medicamentos.

Por tudo isso, a estimativa dos especialistas é de que a alta de preços na área médica tenha sido de 12% a 17% nos últimos 12 meses - bem maior que a inflação geral do período, medida pelo IPCA, que ficou em 4,80%.

Porém, repassar esses aumentos aos clientes não será tarefa fácil para as operadoras. Muitas empresas simplesmente não têm condições de aceitar o reajuste, porque ainda sofrem no caixa os efeitos da crise.

A ANS argumenta que ao estipular um reajuste anual, coincidente com a data de renovação de contrato do plano coletivo, as empresas que julgarem abusivo o aumento proposto pela operadora poderão simplesmente migrar para outra que ofereça uma proposta mais atraente.

“Ninguém quer perder um grande cliente, então a concorrência pode aumentar”, diz Arlindo Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

Porém, muitas operadoras já estão trabalhando com margens de lucro baixas e não podem ceder muito em suas propostas. Além disso, agora que o reajuste se tornou anual, quem negociar mal o preço das mensalidades corre o risco de ter que amargar prejuízo por 12 meses, sem direito a reverter a situação.

“Por isso, as operadoras tendem a ser mais rígidas nas negociações que ocorrerão de agora em diante”, avalia Marcelo Munerato, vice-presidente da corretora Aon Consulting.

Para chegar a um consenso, a tendência é reduzir o padrão dos planos já contratados - haveria, por exemplo, migração dos planos com internação em apartamento para planos de enfermaria.

“Outra proposta é pedir uma coparticipação do funcionário no pagamento dos serviços”, cogita Pedro Fazio, consultor do mercado de saúde. “Seria uma forma de convidar o trabalhador a fazer a gestão dos gastos, sem que isso seja muito oneroso para ele.”

 

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