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Plano de saúde terá novas coberturas e preço mais alto

JORNAL DA TARDE - ECONOMIA

 

 

 

 

A cobertura mínima oferecida pelos planos de saúde pode ganhar até 42 novos procedimentos obrigatórios. A lista será divulgada hoje pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e vai incluir exames como o petscan oncológico (para detectar câncer) e o transplante de medula óssea.

Embora trate-se de uma conquista importante para o beneficiário, não convém se iludir: o impacto financeiro que a adoção dessas técnicas causar às operadoras será repassado ao consumidor em forma de aumento das mensalidades. Porém, estima-se que os novos procedimentos só comecem a pesar no bolso do cliente a partir de 2011 - a ANS deveria ter divulgado o rol ainda em 2009 para que ele entrasse em vigor a tempo de ser incorporado ao reajuste de 2010, cujo anúncio está programado para maio. Mas o novo rol deve passar a valer só em junho.

Em 2008, a ANS adicionou de uma só vez 150 procedimentos ao rol obrigatório. No reajuste de preços anunciado em abril de 2009, que foi calculado com base no aumento de custos que as operadoras registraram nos 12 meses anteriores, a nova lista teve o peso de 1,1 ponto porcentual no índice de aumento total, que foi de 6,76%. Isso porque os procedimentos incluídos eram baratos (como a vasectomia), porém registravam grande frequência de utilização.

Desta vez, a lista não é tão numerosa como a de 2008. Em contrapartida, ela inclui itens mais caros. Apenas o exame de petscan oncológico custa cerca de R$ 4 mil. Sem falar do transplante de medula óssea, cujo preço pode chegar a R$ 85 mil, e de outras técnicas adotadas em cirurgia ou diagnóstico de doenças. O atenuante é que a demanda por esses procedimentos é considerada baixa. Além disso, a ANS deve limitar cobertura obrigatória do exame só para a verificação de suspeita de câncer no tórax e mediastino - reivindicação das empresas.

Ainda assim, especialistas asseguram que a mudança terá impacto nos preços dos planos. “A divulgação de um novo rol sempre tende a aumentar os custos das operadoras e, consequentemente, encarecer as mensalidades”, diz Marcos Bosi Ferraz, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde. “Porém, só vai ser possível saber qual será o impacto financeiro quando as operadoras constatarem qual é a demanda real e se os médicos utilizarem os recursos de forma consciente.”

Carlos Suslik, coordenador do MBA Executivo em Gestão de Saúde HIAE - Insper, explica que novas tecnologias que serão incorporadas no novo rol não eliminam exames anteriores. Pelo contrário: são aditivas, tornando o diagnóstico e o tratamento mais precisos, mas às vezes mais caros . Porém, ele enfatiza que parte dos novos procedimentos podem ajudar a prevenir doenças. “Isso serviria para diminuir o custo das operadoras no médio prazo”, diz.

Daniela Trettel, advogada do Idec, acha que “o certo seria abolir o rol e instruir as operadoras a cobrirem qualquer procedimento de que o paciente necessite ainda que isso revertesse em aumento de preços.”

Carolina Dall’Olio e Fabiane Leite

 

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